Com a mesma voz que a colocou no rol privilegiado de namoradinhas do Brasil, ao lado de Regina Duarte, a cantora de 29 anos não se cansa de repetir as palavras ‘feliz e ansiosa’ quando trata da volta aos palcos, com a turnê Manuscrito. Em entrevista ao G1, fala do investimento na carreira de atriz e não descarta a volta às novelas, inclusive com personagens mais ousados e polêmicos. Está na expectativa para as gravações do filme “Quando eu era vivo”, ao lado de Antônio Fagundes e Fábio Assunção.

A retomada dos shows após seis meses terá como ponto de partida o Theatro Municipal de Paulínia (SP), espaço que Sandy conheceu durante participação em concerto do maestro João Carlos Martins, em agosto de 2010. “É um local incrível, onde sempre tive vontade de me apresentar. Por ser próximo de Campinas (SP), vou me sentir em casa com o público… São quase familiares e amigos”, ressalta. O show está marcado para o dia 15 de junho, às 21h.

A deixa também é usada como crítica à estrutura da cidade natal para abrigar grandes espétaculos. “É a história do ‘Santo de casa não faz milagre’, há poucas opções. Meu último show na região foi em Jaguariúna (SP)”, lembra. A assessoria da cantora também confirmou apresentação para a cidade de Bauru (SP), em 23 de junho.

Sobre o repertório da apresentação intimista que dialoga entre elementos retrôs de decoração e projeções de imagens, Sandy conta que irá mesclar as principais músicas do último trabalho como ‘Pés Cansados’, ‘Ela/Ele’ e ‘Esconderijo’, eleita pela cantora como uma favoritas no momento por ‘dizer tudo o que era preciso’, com hits que produziu ao lado do irmão Júnior e releituras das canções de Lenine, Marisa Monte e Lulu Santos.

“A turnê amadurece a cada apresentação, mas sempre busco algo diferente, pode ser um arranjo ou a escolha das músicas dos artistas que admiro”, explica. A cantora informou que prepara o segundo CD da carreira solo, que deve ter proposta semelhante. “Encontrei meu estilo em Manuscrito, mas pretendo dar vazão à criatividade e ouvir o meu coração. Não tenho regra para pensar primeiro na letra ou melodia, embora goste mais quando acontece nesta ordem”, pondera.

Ídolo pop e tributo
Outro projeto musical que Sandy retoma entre os meses de julho e agosto é ‘Covers’, com o qual reverencia sucessos do ídolo Michael Jackson pelo Circuito Cultural Banco do Brasil. Na série de shows, Maria Bethânia canta Chico Buarque e Lulu Santos interpreta Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

“É uma humilde releitura, pois não quero ser vista como pretensiosa. Poderia ter escolhido a Elis [Regina], pois todos sabem da minha admiração por ela, mas talvez fosse menos original de certa forma. Foi um grande desafio encontrar um limite entre a originalidade dele, que fez parte da minha infância e sou muito fã, e o meu trabalho”, explica. A assessoria da cantora afirma que estão previstas cinco apresentações do projeto, mas com datas e locais a serem definidos.

Novela e cinema
A explicação para o intervalo de shows deve-se à dedicação de Sandy aos últimos trabalhos na televisão: mestre de cerimônias do reality ‘The Ultimate Fighter’ e participação na série ‘As Brasileiras’. Para avaliar o desempenho como ‘A Reacionária do Pantanal’, a cantora apega-se à personagem que interpretou há 11 anos na novela Estrela Guia, quando provocava expectativa no público em relação ao primeiro beijo na TV.

“Eu me sentia muito presa com a Cristal. Ela deveria parecer calma, serena, então havia sempre preocupação. Com a Gabriela foi diferente. Sou muito expressiva, faço gestos e caretas enquanto falo, então foi mais divertido e espontâneo fazer as cenas de nervosismo e até desproporcionais a ponto de ser cômico, pois a personagem é completamente errada: se considera moderninha, mas não aceita o relacionamento [homoafetivo] da mãe [Regina Braga]”, compara.

Tipo Suelen
Entre o humor da novela das 19h e o drama das 21h, Sandy prefere o último e não foge à pergunta sobre a chance de interpretar papel semelhante ao de ‘Suelen’, de Avenida Brasil. “Não sei se conseguiria passar o perfil, pois a Isis [Valverde] é uma ótima atriz e possui mais experiência, mas faria com certeza. Durante as cenas a gente esquece o lado de fora e quer fazer o trabalho da melhor forma, sem preconceitos. Acho mais interessante quando é bem diferente da própria personalidade”, afirma a cantora.

Além disso, ela resume como o marido Lucas Lima recebe as cenas com toque de sensualidade. “Ele é bem tranquilo, confia em mim, gostou bastante do episódio da série. Eu é que não sei se reagiria da mesma forma”, conta aos risos.

Pelo ritmo da fala, a cantora não esconde o entusiasmo pelo filme ‘Quando eu era vivo’, adaptação do romance ‘A arte de produzir efeito sem causa’, de Lourenço Mutarelli. “Considero o convite um grande presente. Estou estudando bastante o livro para viver a Bruna e fiquei na torcida para que algumas cenas fossem gravadas no pólo de cinema em Paulínia”, conta ao adiantar que as gravações, em princípio, devem ocorrer em São Paulo. A direção do filme é de Marco Dutra, que esteve em Cannes com o curta ‘Trabalhar Cansa’.

Sobre a sequência da carreira de atriz, Sandy diz que pretende cursar e adquirir técnicas do teatro para somá-las ao método que usa até então. “É empírico, para ser sincera. Observo muito, sou cinéfila, converso com diretores, produtores… Falta um poquinho de tempo para aprender mais”, conta, ao eleger Merly Streep e Glória Pires como referências.

Boatos e planos
Casada desde setembro de 2008, Sandy mantém o bom-humor para comentar as últimas notícias que a colocaram no posto de futura mamãe e nos trending topics da rede social Twitter. “Acho que o pessoal está com pressa para eu engravidar. Paciência, quando for verdade vou dizer… Ainda não sei se pretendo ter um, dois, e não tenho preferência para menino ou menina”.

Sobre uma possível ‘crise dos 30 anos’, a cantora diz que a cada ano torna-se mais reflexiva e faria o mesmo caminho, caso pudesse escolher. “Sou muito feliz, mas parece que o tempo está voando demais. Isso me preocupa, pois parece que não vai dar tempo de fazer tudo o que eu quero, seja no trabalho ou vida pessoal”.

Serviço
O quê: Sandy – Show Manuscrito
Quando: 15 de junho, às 21h
Onde: Theatro Municipal de Paulínia – Avenida José Lozano Júnior, 1.551, Parque Brasil 500
Ingressos: entre R$ 90 e R$ 140 (inteira)
Meia-entrada é válida para professores, estudantes, moradores de Paulínia, pessoas acima de 60 anos e aposentados
Pontos de venda: bilheteria do Theatro (de terça a sexta, das 13h às 19h);  Fnac (Parque Dom Pedro Shopping); Tabacaria Ranieri (Galleria Shopping); Oficina do Estudante (Avenida Brasil, Campinas); ingressorapido.com.br; Tilli Viagens e Turismo (Shopping Tilli Center, Barão Geraldo); Griffe de Viagens (Varandas Shopping, Cambuí)

Informações: (19) 3933-2140